sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bioluminescência: Mas afinal o que é isso mesmo?

Bioluminescência, Parque Nacional das Emas, 2007. Foto: Simone Mamede
A curiosidade e a admiração pelos  cupinzeiros iluminados nas noites quentes e úmidas de primavera e verão datam desde o século XIII. Muitas impressões, teorias e lendas em torno desse fenômeno foram atribuídas ao longo dos últimos séculos, entre eles: evento  fantasmagórico, brilho dos cupinzeiros por estarem rodeados de insetos luminosos, bactérias luminescentes instaladas nos ninhos dos cupins, entre outros relatos e assombros. O que todos concordam é que se trata de um efeito estético mágico, espetacular e que atrai a admiração de todos quantos têm a oportunidade de encontrar tal maravilha na natureza. Somente a partir do século XX, é que estudos começaram a ser realizados com o objetivo de conhecer melhor o fenômeno da Bioluminescência. A bioluminescência é, na verdade, uma luz fria, não fosforescente, emitida por determinados organismos vivos com finalidades variadas, conforme a espécie e o grupo a que pertencem. Pesquisadores sugerem que os organismos que apresentam essa capacitadade de emissão de luz, a utilizam para atração de parceiros para a reprodução, atração de presas, como forma de defesa a predadores, entre outras inúmeras funções ainda não desvendadas pela ciência.
Bioluminescência. Foto: Mamede, 2007
Na região do Parque Nacional das Emas, onde a densidade de cupinzeiros pode atingir mais de 300 unidades por hectare, os organismos responsáveis pela bioluminescência são as larvas de uma espécie de vaga-lume, Pyrearinus termitilluminans, cujo nome científico está diretamente associado à luz (Pyrearinus: relacionado a fogo, luz), ao local onde as larvas se abrigam e ao efeito que produzem (termitilluminans: relacionado a termiteiro iluminado). Elas utilizam os cupinzeiros para proteção, abrigo e para a captura de suas presas, principalmente, insetos alados. Apenas a região anterior do corpo fica exposta durante a noite. As larvas, após capturar as presas levam-nas para dentro dos túneis para se alimentar. O fenômeno pode ser observado no Parque das Emas com maior intensidade na época que iniciam as chuvas no início da noite, principalmente quando ocorrem pancadas de chuvas nos dias mais quentes. Em estudo desenvolvido pela pesquisadora Ana Cláudia T.P. dos Santos, foi observado que larvas maiores ocupam a região mais alta dos cupinzeiros e que os cupinzeiros mais altos tendem a apresentar maior número de larvas. A pesquisa sugere que os ovos são depositados no solo, na vizinhança dos cupinzeiros, e após o nascimento das larvas é que estas passam a ocupar os cupinzeiros. Há fortes evidências de que as larvas não se alimentam dos cupins residentes, mas dos insetos na superfície e que podem, eventualmente, se alimentar também durante o dia.
Larva de vaga-lume (Pyrearinus termitilluminans). Foto: Mamede, 2007.
Essas larvas ocupam as galerias e orifícios presentes na superfície dos cupinzeiros e  impressionam no aspecto resultante. Várias comparações são feitas pelas pessoas que visitam o Parna Emas, algumas bastante criativas e curiosas, tais como: grandes cidades e seus edifícios com luzes acesas durante a noite, metrópoles e suas torres modernas vistas do alto, a Via Láctea no solo, céu estrelado visto de cabeça para baixo, lagartas de fogo habitantes de termiteiros, entre outras.
Quanto às estórias, estas, apresentam as mais variadas versões dependendo da mente criativa de cada observador. A beleza e encanto só podem ser percebidos e descritos, de fato,  assistindo ao fenômeno de perto. A bioluminescência só poderá ser presenciada por gerações futuras se o Cerrado for conservado e a proteção do Parque das Emas continuar efetiva. Os visitantes e a comunidade local têm papel fundamental nesse processo ao conhecer, difundir, valorizar e evitar impactos sobre a biodiversidade reservada no Parque. Ao visitar o Parque no período da bioluminescência evite o excesso de lanternas acesas sobre os cupinzeiros, isto atrapalha o comportamento e sucesso alimentar das larvas. Se estiver em grupo evite que seus integrantes se dispersem no campo, de modo a evitar pisoteio na vegetação e no entorno dos cupinzeiros onde várias larvas recém eclodidas permanecem. Ao se aproximar do cupinzeiros evite conversa alta, além da possibilidade de visualizar elementos da fauna, como mamíferos, fica mais fácil identificar se o cupinzeiro está ocupado por abelhas, algo que merece a atenção. Evite tocar as larvas ou retirá-las das galerias, se ali estão é porque precisam desse espaço para sobrevivência. Lembre-se: a satisfação e sucesso da sua visita só serão garantidos se os elementos da biodiversidade e seus processos vitais forem mantidos. Portanto, o bem-estar dos vaga-lumes dependem do nosso cuidado.

Visite o Parque Nacional das Emas: Patrimônio Natural da Humanidade. Encanto do Cerrado. Encontro com a vida.
                                                                                                        Texto de Maristela Benites, 2006

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Formatura dos Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas 2012



Após 11 meses dedicando finais de semana, alunos concluem o II Curso de Formação de Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas. O curso iniciado em setembro de 2011 encerrou no último sábado, 11 de agosto, com tentativa de conciliar o sentimento de etapa concluída e o desejo de eternalizar momentos de encanto, harmonia, aprendizado e comunhão entre pessoas e destas com o ambiente natural. Dentre os mais de 60 participantes que tiveram a oportunidade de passar pelo curso, 30 concluíram com êxito e encontram-se preparados para conduzir o visitante no Parque Nacional das Emas, um dos cenários mais exuberantes de Cerrado conservado do país.


O saldo positivo do curso pode ser resumido em: 
30 monitores habilitados em conduzir visitantes no Parque, com ênfase em “melhorar a qualidade da visita, sempre” por meio do contato com o Cerrado. São 17 novos monitores e 13 que concluíram curso de atualização e renovaram credenciamento junto ao PNE;
ü  integração entre a Unidade de Conservação e o entorno com potencialização da proteção efetiva;
ü  maior integração entre municípios que compartilham a área territorial do PNE especialmente no segmento do ecoturismo;
ü  conhecimento adquirido e intercambiado entre participantes e instrutores de diversas partes do Brasil que compartilharam um pouco de seu conhecimento com os cursistas e estes emprestaram também o conhecimento tradicional e o saber popular acumulados ao longo da história de vida de cada um;
ü  impulso e fortalecimento das associações de guias de turismo e monitores ambientais do entorno do Parque;
ü  implementação gradual e exercício do ecoturismo de base comunitária;
ü  quatro municípios mobilizados diretamente;
ü  incentivo ao exercício do tripé da sustentabilidade constituído pela dimensão social, econômica e ambiental.


É dessa maneira que as Unidades de Conservação podem se afirmar como espaço de participação comunitária e de socialização, o que possibilita maior responsabilidade distribuída entre gestor e comunidade no que tange à proteção do Parque, agrega identidade local e cultural, permite adequada apropriação e o retorno social e econômico da UC à comunidade.

O processo de formação não se restringe somente ao campo da conclusão de um curso, mas remete o grupo ao começo de nova etapa, novo momento, com novos desafios e olhares, principalmente no diz respeito a tornar os territórios aprazíveis e sustentáveis.


Monitores premiados (Nébias, Graziele, Nélio)
Durante o evento foram entregues o Prêmio para os monitores que se destacaram durante o curso. O Prêmio intitulado Lobo-guará, neste ano teve a versão quati, tamanduá-bandeira, valorizando a diversidade do bioma Cerrado.



Estiveram presentes à solenidade o prefeito municipal de Chapadão do Céu-GO, Sr. Paulo Cunha, acompanhado da secretária de turismo e cultura, Sra. Eunice Ficher Nicki, o secretário de turismo e meio ambiente de Costa Rica-MS, prof. Wilson Matheus, o diretor do Parque Nacional das Emas, Sr. Marcos Cunha, e as técnicas da FUNDTUR-MS, Larissa e Cristiane, representando na ocasião, a presidente da Fundação, Nilde Brun.

Gratidão a todos os parceiros que apoiaram e reconheceram a importância do curso: Dona Joana (nossa mestre-cuca!), Marcos Cunha (diretor do Parque), PNE, ICMBio, prefeitura municipal de Costa Rica-MS, prefeitura municipal de Chapadão do Céu-GO, prefeitura municipal de Mineiros, Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul-FUNDTUR, Associação de Guias e Monitores Ambientais de Costa Rica-AGMA, Associação de Guias e Monitores de Mineiros (Associação Filhos do Cerrado - AFC), Sociedade Ecológica de Turismo Ambiental de Chapadão do Céu-GO (SETA), a todos os motoristas que dirigiram o carro safari durante as atividades de campo, a todos os ministrantes de disciplinas e temáticas e a todos os alunos que se lançaram a esse desafio e permitiram o sucesso do curso.

A expectativa é manter uma formação continuada através de cursos de especialização nas mais diversas modalidades de ecoturismo e que atendam as demandas e vocação natural do Parque Nacional das Emas. Cursos já previstos são o de Birdwatching e Fotografia de Natureza a serem realizados pelo Instituto Mamede e Parceiros.























Comemorando a Formatura

Momento de confraternização

Embalados pela música-tema dos formandos: Felicidade, de Marcelo Jeneci

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Atualização dos Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas

Mais de 20 Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas estiveram participando do curso de atualização de monitores ambientais entre os dia 03, 04 e 05 de agosto. Durante o curso de atualização eles tiveram a oportunidade de transitar entre a teoria e a prática de temas como: Gestão de Unidades de Conservação, Planos de Manejo, Zoneamento, Biodiversidade do Cerrado, Técnicas de Turismo, Ecoturismo em Unidade de Conservação, Educação Ambiental,  Avaliação de atrativos Turísticos da Unidade. Foram 50 horas de atualização, visando a qualidade da visita e o aprimoramento do monitor e seu maior convívio com a Unidade de Conservação. O curso de atualização de monitores foi oferecido pelo Instituto Mamede e Parque Nacional das Emas, com o apoio das Associações de Guias e Monitores das Cidades de Entorno, prefeituras e da FUNDTUR-MS.












A caminho da formatura dos Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas

O mês se identifica pelo ipê florido...

Os integrantes do curso de formação de monitores ambientais do Parque Nacional das Emas estiveram durante sexta-feira e sábado de manhã (10 e 11 de agosto de 2012) concentrados no Parque Nacional das Emas nos momentos que antecederam a formatura. Como diz a cursista Vitória Borges o Parque é também um espaço de socialização com o entorno e de integração com o bioma Cerrado.
Nos instantes que antecederam a formatura os mesmos participaram de diversas atividades programadas pelos próprios alunos envolvendo os facilitadores do curso. Entre as atividades culturais e socioambientais tiveram jogos, caminhadas, contemplação, músicas e encontros com escritores como Rubem Alves, Fernando Pessoa, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Guimarães Rosa e Manoel de Barros, através de diversas leituras.
... Diversos olhares despertados para o Cerrado e suas peculiaridades e quando se vê o Sertão é dentro da gente...
Guardiões do Cerrado

Leitura do livro de Rubem Alves  "Um caso de amor com a vida",
às margens do Formoso


Guardiã dos livros

Primeiros raios de sol  e reflexões no Cerrado dissipando o frio...

Leitura às margens do Formoso


Sobre ponte e buritis...

Lá vêm eles...

Fotografando no Sertão...
Uma breve despedida, é só o início da jornada...