quarta-feira, 6 de março de 2013

Cicloturismo no Parque Nacional das Emas: a bicicleta como instrumento para melhorar a condição humana e promover uma experienciação aprimorada com o ambiente


Não resta dúvida que o curso – Formação em Técnicas de Planejamento e Implantação de Cicloturismo em Áreas Protegidas – proporcionou o sentimento unânime que o uso da bicicleta para visitação no Parna das Emas e entorno é decididamente um novo horizonte a ser adequadamente explorado, e representa elo entre pessoas, patrimônio natural e cultural da região.
Encontro com maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes) no caminho entre Campo Grande/MS e PNEmas: prenúncio de boas surpresas. 
Foto: Maristela Benites
Foram dias intensos (01 – 03/03/2013) de vivência no Cerrado sobre duas rodas. E o guidão não foi o único elemento de direção utilizado no curso, mas contou, fundamentalmente, com a experiência de vários monitores ambientais que convivem diretamente com a diversidade biológica e cultural da região do Parna das Emas e a maestria de quem já percorreu outras trilhas no Cerrado e em diversos biomas. Assim, foi fácil para cada participante guiar sua bike consoante o olhar atento a tudo o que o Cerrado pode proporcionar no percurso e a sempre colaboração dos champs.
Salve, Champs. Foto: Simone Mamede


Não se pode negar, aliás, a semelhança existente entre champ e monitor ambiental. Podemos citar pelo menos quatro delas: sensibilidade, perspicácia, proatividade, companheirismo e comprometimento. Neste último ponto o monitor ambiental está comprometido em abrir “os olhos de ver” dos seus visitantes e contagiá-los com sua vivência. Porque ele sabe que só se pode explicar o que há do lado de fora se estiver farto por dentro.



As Unidades de Conservação (UCs) de Proteção Integral, como é o caso do Parque Nacional das Emas, melhor se identificam com a categoria Cicloturismo? Cicloturismo de destinos? Ciclismo de massa? Mountain bike? Com presença ou não de condutor? Ou seria simplesmente uma atividade de visitação sobre duas rodas? É certo que essas perguntas continuam retumbando nas mentes de quem lá esteve. E, de concreto, o que se sabe é que a bicicleta por sua versatilidade instrumental representa um meio para infinitas finalidades que visem à construção de sociedades e territórios sustentáveis.
No percurso dentro de uma UC como o Parna das Emas, impossível olhar só para a trilha e pedalar, há que se observar seus arredores repletos de exuberante e plena riqueza de vida, literalmente representada nos 4 elementos: terra, fogo, ar e água.
Colorindo a bike. Marcório Martins


Terra úmida que se adere aos pneus e mantém viva fauna e flora local. Fogo que molda toda a paisagem de Emas e influencia a história natural de cada espécie ali ocorrente.






No meio da travessia uma corruíra-do-campo (Cistothorus platensis).
Foto: Maris Benites

 Fogo que molda toda a paisagem de Emas e influencia a história natural de cada espécie ali ocorrente.



Ar, fresco e puro que se preenche e se colore com imagens de arco-íris, aves e demais seres voadores do Cerrado.
Arco-íris no Parna das Emas. Foto: Pedro Paulo Godoy

Sobre a Ponte do Rio Formoso - Cartão postal do Parque Nacional das Emas.
Foto: Marcório Martins







Água sempre necessária e que representa um dos cartões postais do PNEmas.













Enfim, tudo intrinsecamente ligado em arranjo de rede orgânica com infinitas conexões, que faz de
Emas o espaço perfeito de educação, inclusão, socialização e conservação. 

 E aqui a paráfrase de Guimarães Rosa descreve a essência do momento: “a magia do Cerrado não está na saída nem na chegada: ela se dispõe para a gente é no meio da travessia”!  
E assim foi em cada percurso empreendido sobre duas rodas no Parque Nacional das Emas: Patrimônio Natural da Humanidade!

Travessia do Sertão de dentro da Gente. Foto: Simone Mamede
Durante o curso os ministrantes transitaram em assuntos de essencial importância para aplicação da atividade em territórios de UCs, tais como Plano de Manejo, Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental (ENCEA), Diretrizes para visitação em Unidades de Conservação, SNUC, assim como Easy Riders Caravans, Experience Champs e Turismo de Base Comunitária.

Aula Teórica. Foto: Simone Mamede


Dos ensinamentos e troca de informações o que resta é Gratidão!
 Gratidão aos instrutores do curso, em especial ao querido instrutor, facilitador e champ Therbio Felipe que, enquanto para alguns a trilha de domingo se estendeu por 45 km, para ele se somaram 30 km ao percurso, entre idas e vindas para assistência aos participantes e, claro, fruição do Cerrado. Therbio compartilhou com o grupo suas inúmeras experiências de cicloturismo Brasil afora e impactou a turma com grande conhecimento, criticidade e sensibilidade ímpar.

 Gratidão pela incumbência e responsabilidade assumida por todos os participantes em tornar a região do Parque Nacional das Emas referência do Turismo de Base Comunitária com foco na educação para sustentabilidade.
Concentração. Foto: Thérbio Felipe

Agradecemos aos parceiros e facilitadores do curso: Parque Nacional das Emas/ICMBio, Revista Bicicleta, Programa Energia Social, prefeituras municipais do entorno (Mineiros-GO, Chapadão do Céu-GO e Costa Rica-MS) e associações de guias e monitores ambientais (AGMA – Costa Rica/MS, SETA – Chapadão do Céu-GO, Associação Filhos do Cerrado – Mineiros/GO) e Agência Jéssica Turismo.


Travessia. Foto: José Dias Carvalhaes
Cremos que o final de semana teve muito a ver com o que Therbio comunicou ao grupo: resgate de um brinquedo universal e entendimento de que antes de meio de transporte, a bicicleta é simplesmente um meio...

Já dizia Albert Einstein que “viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em movimento para não perder o equilíbrio”.

Avante!


Travessia do sertão.

Rastros de tatu-peba (Euphractus sexcinctus)



Carro de muito apoio. Foto: José Dias Carvalhaes
Ponto W. Foto: Nébias Braulino
Em defesa do Cerrado, sempre!