segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sejamos nós a diferença que queremos ver no Mundo: Instituto Mamede e Instituto Quinta do Sol uma parceria para a sustentabilidade

Sejamos a diferença que queremos ver no mundo...
Dois dias intensos no Cerrado com sorrisos, alegria, passarinhos, poesia e planejamento para 2014, assim foi o encontro entre integrantes do Instituto Mamede e Quinta do Sol, RPPN localizada em Taboco, distrito de Corguinho/MS.
Em busca do queixada entre o planalto e a planície

De tudo que é Sagrado...
Encontro entre planalto e planície, entre uma paisagem e outra, uma nova ideia de transformação para ações e vivências sustentáveis com foco na educação ambiental, no turismo de base comunitária e conservação. 







Fazer ciência e admirar o belo na e com a comunidade e esta com e na natureza, preenchimento humano possível!
O admirável mundo das possibilidades entre o encantamento da vida e suas inúmeras conectividades...

Pia-cobra
 O que resultou deste encontro além das quase 100 espécies de aves observadas, vários mamíferos, pinturas rupestres e corredeiras de águas cristalinas? Um pacote de ações integradas com vivências e atitudes para o presente e futuro mais sustentáveis fortalecendo a grande conectividade de redes já existente entre seres humanos e natureza. São os olhos de ver, sentir e perceber que podem gerar mudanças e potencializar virtudes.


 Mais do que parceria o encontro proporcionou uma imersão no universo da arte com tuiuiú, ema, phyllomedusa kadiweu e até cupinzeiro bioluminescente iluminou a noite no sertão. E as instalações em permacultura provam que é possível conviver de forma harmônica com o ambiente.

Taboco e Corguinho: caminhos possíveis para o turismo genuíno de base comunitária!

Quinta do Sol: cantinho aconchegante e de intimidade com a natureza de dentro de fora! Venha conhecer, se reconhecer, se encantar e vivenciar o belo em sua plenitude!

Depois do encontro com a planície, um tereré com poesias de Manoel de Barros
Com sobrevoos de Urubu-rei

O contato com a comunidade local

O observar da Jacutinga
A guaracava-de-barriga-amarela carregando um fragmento de líquen para deixar o ninho ainda mais aconchegante no pequizeiro
E as anhumas, sempre elegantes mesmo em dias chuvosos!

A delicadeza da arte de Lidia, a intimidade da artista com sua obra...

As porteiras transponíveis entre o Planalto e a Planície nos revelam mistérios da travessia

Arte rupestre estampada em rochas areníticas: memorial deixado por quem já partilhou da mesma travessia

O encontro com o pia-cobra

Bate-papo em meio à natureza e à arte de viver

E lá se vai mais um dia no Sertão de dentro e de fora da gente...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Época de aleluias no Parque Nacional das Emas significa muita coisa!



Aleluias ou siriris são cupins que durante a fase reprodutiva, pode-se assim dizer, são alados. Chuva no Cerrado significa fartura de alimento, de aleluias e de vários outros insetos. No entanto, no Parque Nacional das Emas o que mais chama a atenção, sem dúvida, são as aleluias. Período de revoada é sinal de banquete certo para várias espécies: vertebrados (répteis, anfíbios, aves e mamíferos) ou invertebrados (larvas de vagalumes, por exemplo). As larvas de vagalumes (Pyrearinus termitilluminans) são responsáveis pelo show a parte nesse período do ano. 

E aves que quase não vê no chão como andorinhas e tesourinhas arriscam a aterrissagem, fugindo ao trivial, para saborear o banquete de aleluias em solo.
Para as aleluias esse período também significa renovação da vida: logo que perdem as asas é hora de procurar, ou melhor, construir novo refúgio. Nova moradia de cupins representa mais cupinzeiros surgindo e ampliando a cidade de cupins, e diga-se, obra-prima de permacultura! Impossível não se surpreender com a abundância de cupinzeiros no Parque, algo que, aliás, o caracteriza muito bem. Mas além de cupins e vagalumes, vários outros animais se refugiam nesses montículos de terra: aves como pica-pau-do-campo, tucano, periquitos, papagaios, corujas, se utilizam dos cupinzeiros para reprodução, formigas e outros invertebrados passeiam em busca de alimento e se refugiam neles também, tatus, tamanduá-bandeira, cuícas, lagartos também os utilizam como abrigo ou para se alimentar de ovos das aves que ali constróem ninho, como é o caso do teiú-de-cara-vermelha (Tupinambis duseni) observado dentro do ninho de psitacídeo (periquito ou papagaio) a mais de um metro do solo. Como um teiú daquele tamanho, forma e massa corpórea conseguiu escalar o cupinzeiro é mais um dos mistérios a poucos revelados. 
 












Três razões principais tornam os cupinzeiros tão atrativos à fauna: baixa ou nenhuma variação climática no seu interior, refúgio contra predadores e estratégia para obtenção de alimento. 

O dia amanhece na sede e é hora de ver a infinidade de asas de aleluias perdidas no solo ou outra superfície que as acomodem. Curicacas (Theristicus caudatus), pássaros-pretos (Gnorimopsar chopi), chopins (Molothrus bonariensis), chopins-picumã (Molothrus rufoaxillaris), suiriris (Tyrannus melancholicus e T. albogularis), tesourinhas (Tyrannus savana), pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), bem-te-vis (Pitangus sulphuratus) e até a garça maria-faceira (Syrigma sibilatrix) aproveitam o banquete de aleluias, agora sem asas, que tentam construir nova colônia.


No campo, anu-coroca (Crotophaga major) surpreende os amigos observadores (Tietta Pivatto, André de Oliveira, Fernanda Reverditto, Roberta Coelho e Anne Zugman), ao se fartar com tantas aleluias sobre o cupinzeiro!
Se cupins são “bons” ou não para o ruralista e/ou para o agronegócio não há consenso entre proprietários, empresários e cientistas. Novas pesquisas indicam que a presença de cupinzeiros não está diretamente relacionada com a degradação e empobrecimento do solo (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-204X2011001200016&script=sci_arttext), conforme se deduzia. Fato é que a presença de cupins no Cerrado em especial no Parque Nacional das Emas enche de encanto, assombro e felicidade cada visitante que por lá passa e percebe que a vida não se resume a coisas úteis e materiais, principalmente os capitalizados. 
Como diria Rubem Alves: que utilidade tem você observar a bioluminescência? Utilidade material talvez não tenha, mas isso nos enche de gratidão e felicidade e tem-se a certeza de que a vida vale a pena por causa daquele instante fugaz. A abundância de aleluias nos desafia a trocar a riqueza ilusória pela riqueza real que é a vida. Vai ver a explosão de vida reservada no Parque Nacional das Emas: patrimônio natural da humanidade!


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Educação para a Sustentabilidade com Professores de Chapadão do Céu no Parque Nacional das Emas




Educação Ambiental na matemática? Na história? Na arte? Na geografia? Na química?
Isso mesmo. Durante 03 dias professores da rede pública municipal do município de Chapadão do Céu-GO estiveram imersos no Parque Nacional das Emas quebrando paradigmas e buscando ações integradas junto ao Parque com vistas a assegurar Escolas mais Sustentáveis a partir de ações educativas e transformadoras. O desafio: Praticar a Educação Ambiental nas mais diversas áreas do ensino e preparar professores e alunos a lançarem novo olhar sobre a biodiversidade do Cerrado.

De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental, Lei Federal 9.795/99, a Educação Ambiental deve permear todas as disciplinas do ensino formal e, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) abordam a Educação Ambiental como atividade transversal no ensino. Entretanto, essa prática nem sempre é exercida nas escolas e outras instituições de ensino no Brasil. Para que isso aconteça de forma efetiva, a gestão das escolas deve dar abertura para que os educadores se qualifiquem e aprimorem metodologias que incluam Educação Ambiental em suas disciplinas. Os professores por sua vez, devem estar preparados e dispostos para esse instigante desafio, pois a Educação Ambiental é direito e dever de todos. E foi com esse entusiasmo e com vontade de mudança que professores de Chapadão do Céu de várias disciplinas estiveram presentes no curso “Educação Ambiental e a Trama das Ciências” fazendo tudo junto, agora e ao mesmo tempo. 

A inspiração de toda ciência encontra-se inegavelmente na natureza, mas é preciso aprimorar nossa percepção, sensibilidade e interação com o ambiente para enxergarmos as interligações existentes e então agirmos responsavelmente. Interação com o ambiente nos torna mais humanos, solidários, responsáveis e nos traz qualidade de vida.
O Parque Nacional das Emas, considerado laboratório natural para estudos em biodiversidade do Cerrado e lugar de contato com o Cerrado, costuma receber visitantes do mundo inteiro que buscam descobrir seus encantos e riquezas ali abrigados, mas há necessidade de as comunidades de entorno melhor conhecê-lo e valorizá-lo. O Parque apresenta infinitas possibilidades de aulas interessantes nas diferentes disciplinas. Agora, por exemplo, estamos em plena estação chuvosa, portanto, é hora de desfrutar do espetacular Fenômeno da Bioluminescência. Que disciplina poderia medir a forma de disposição espacial dos cupinzeiros e de seus ilustres hóspedes vagalumes? 

A matemática! Qual a composição química da luz fria produzida pelos vagalumes e como é produzida por um organismo vivo? Qual o alimento dos vagalumes durante seu período de vida? Qual o tipo de movimento desenvolvido pelas aleluias e vagalumes? Que arte pode ser desenvolvida a partir da bioluminescência? Em que região geográfica isso ocorre e como ela é? No que isso nos melhora enquanto seres humanos?
Segundo a profa. Leila Neves, após o curso será mais fácil abordar o meio ambiente em suas aulas diárias. A profa. Fernanda Ribeiro considerou que vivenciando é mais fácil aplicar na disciplina que minsitra. A profa. Onilda Paulina reforçou que chegará com novo olhar tanto na escola quanto em casa e na cidade.

Por toda essa beleza desejamos que o Parque Nacional das Emas e o Cerrado se mantenham vivos eternamente no planeta Terra.
O curso foi ministrado pela equipe do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo com apoio da Cerradinho Bio, Secretaria Municipal de Educação de Chapadão do Céu e Parque Nacional das Emas. As atividades foram conduzidas pelas Educadoras Ambientais Simone Mamede e Maristela Benites e contaram com a participação especial de Ari Bassous (Fotógrafo de Natureza), Tietta Pivatto (Ornitóloga), Fernandinha Reverditto (Guia de Turismo e educadora ambiental) e Anne Zugman (Educadora Ambiental).
O Parque Nacional das Emas, Patrimônio Natural da Humanidade, permite ao visitante, professor, alunos e comunidade de forma geral vivenciar o Cerrado em sua plenitude.