Diários de Bordo

Diários de Bordo dos alunos do Curso de Formação de Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas, 2011

Diário de José Dias Carvalhaes (Zé Carioca), aluno do curso

                 Arrumei minha bagagem na noite anterior para o curso, com roupas de andar no mato, barraca, colchão, cobertor e material de consumo, a pedido de Simone e Maristela. Isso encheu 1 mochila e 1 bolsa grande. Fui dormir preocupado, pois tinha que acordar cedo para pegar carona no carro da Secretaria de Meio Ambiente, que iria ao Plano de Manejo do Parque Nacional das Emas. São 06:00 horas e nada do George, Secretário do Meio Ambiente, chegar.
                 Estou preocupado, já são quase 08:00 horas, desci para prefeitura.  Encontrei George que disse que não iria mais. Fiquei chateado e pensei se iria adiantar lembrá-lo do seu compromisso para comigo e o plano de manejo (que mais tarde fui saber que foi adiado). Porém resolvi expressar meu desagrado só facialmente, porque ele já tinha me servido outras vezes.  Todos notaram meu descontentamento pelo meu compromisso com o curso. Como forçar para que as coisas aconteçam, não é comigo, então resolvi deixar para ir de ônibus.
                  Leandro, que também é funcionário da prefeitura, vendo meu descontentamento, ligou para um amigo que trabalha no fórum municipal e obteve como resposta que o Sr. Sandro Chaves, advogado em Chapadão do Céu iria. Fui conversar com Sandro e prontamente me dispôs uma carona para depois do almoço.
                  Saímos de Serranópolis-GO por volta das 14:00 horas. Chegando ao Chapadão do Céu, ajudei descer suas compras feitas em Serranópolis. Sandro quis me mostrar sua casa e elogiou muito a cidade. Depois deu umas voltinhas comigo no seu bairro enquanto íamos para o CAT.
                   No CAT encontrei Talita, que trabalha lá e também está fazendo o curso de Monitor Ambiental do PNE. Segundo Talita, a Kombi sairia às 18:00 horas daquela praça. Conversamos muito. Depois chegou uma senhora parecendo que trabalhava por ali, debruçou no balcão e começou uma conversa longa com Talita (mais tarde descobri que a senhora era sua mãe). Recuei, comecei a ler e ver as fotos internas na parede do CAT, de animais vistos no parque e pontos turísticos do município, como a Prainha que já conhecia pois nós (Talita, Valter, Fabiano e eu), tínhamos feito um curso de “Sobrevivência e Salvamento em Áreas Inóspitas e Aquáticas” naquele lugar. Horas foram passando, notei que Talita estava apurada, pois estava chegando a hora de fechar o estabelecimento e ela ainda tinha que comprar o material exigido para o curso. As 17:00 horas Talita disse que eu poderia deixar minhas mochilas dentro do CAT porque ela iria voltar e teria que abrir de novo para pegar umas coisas lá dentro. Deixei a mochila, ela fechou e saiu. Enquanto aguardava seu retorno, resolvi dar uma voltinha na praça para ver os enfeites de natal com litros de PET e observar como funciona o relógio do sol. Descobri que este relógio estava dando diferença de quase 1 hora do meu. Pensei que poderia ser por causa do horário de verão. Gostei da idéia! Aproximando a hora da Kombi chegar, fui para mais perto do CAT e logo chegou Thiago e Theodora, que também estão fazendo este curso. Vendo que dada a hora e nada da Kombi chegar, Thiago ligou para o Enaldo, que prontamente arrumou motorista e veículo para nos levar. Saímos um pouco atrasados, mas chegamos antes dos demais cursandos.
                    Cheguei, já fui abraçar Simone e Maristela para matar minha saudade das amigas e ministrantes do curso, que vieram com um senhor que parecia ser um motorista particular.  Trouxeram duas outras amigas de outra Unidade de Conservação. Pessoas finíssimas! Mas só lembro o nome da Katiucia, por ter feito parceria comigo em grupo mais tarde. Não sou muito bom para guardar nomes!



As 18:54h os Queixadas – Tayassu pecari resolveram nos fazer uma visita. Fiquei um pouquinho triste por não estar com minha melhor Câmera fotográfica (conserto).
                  
                   A turma toda já tinha chegado. Em conversa, soubemos que iria passar uma reportagem sobre a Usina de Belo Monte no Globo Repórter e ficamos curiosos. Conversamos com Simone para tentar assistir esta reportagem. Simone me falou do atraso na aula da Maristela, mas iria conversar com ela e conversaram. Maristela explicitou seu pensamento sobre o que queríamos e deixou a gente escolher sobre a aula do curso ou a reportagem. Escolhemos a aula, por ser o motivo de estarmos ali. Terminamos de jantar e fomos para a aula. Maristela ministrou sobre Gestão de Unidade de Conservação, Histórico da criação das Unidades de Conservação, lembrando da primeira, que é o Parque Nacional de Yellowstone, o parque nacional estadunidense mais antigo do mundo, e os parques do Brasil. Falou também sobre finalidades, diferenças entre conservação e preservação sempre lembrando que “Toda Unidade de Conservação é área protegida”, mas nem toda área protegida é uma Unidade de Conservação”. Falou das Áreas Protegidas e a estratégia de salvaguardar os patrimônios naturais, históricos e culturais com o Sistema Nacional de Unidade de Conservação - SNUC, lembrando-se de incluir o Parque Nacional das Emas e seu Plano de Manejo. Assunto este que se estendeu até tarde da noite.
                  
Dia 03 de Dezembro de 2011.
Por volta das 06:00 horas levantamos e fomos tomar café. Comi pão com presunto e queijo acompanhado de suco de laranja. Depois do café, Simone reuniu a turma no pátio do parque e fez várias dinâmicas começando com alongamentos. Pediu para fecharmos os olhos e escutar o som do Cerrado. Consegui escutar pássaros-pretos, tesourão-do-brejo, caburé, Anu-branco e outras aves que não consegui identificar. Teve também uma dinâmica muito legal que é dar um presente visual a um amigo, pedindo que o guiado fechasse os olhos e o levássemos ao ponto escolhido por nós e dar a ele uma imagem de presente. Guiei o Nélio Carrijo.

Quando Nélio abriu os olhos as 06:25 h viu o presente que lhe dei. Emprestei minha câmera e ele imediatamente capturou esta imagem do rio Formoso dentro do Parque. Quis mostrar a água e sua importância para as vidas e neste momento me lembrei de quando morava no Rio de Janeiro, onde jamais iria encontrar um rio tão limpo e imagem linda como esta “cobra de vidro” (poesia de Manoel de Barros).

                  Fomos para sala de aula onde Simone e Maristela voltaram a falar sobre Unidades de Conservação. Falaram bastante e disseram que estavam preocupadas conosco, pois não estávamos anotando nada. Não falei nada, mas concordei plenamente com elas, pois era muita coisa pra essa minha velha cachola de massa encefálica que já não está funcionando tão bem.  Decidiram mexer com nossos miolos separando-nos em grupos por numero de 1 a 4, no qual fiquei no grupo 2, formado por: André, Joel, Thiago, Katiucia e eu. Pediram-nos que fizéssemos uma tabela para falar sobre Unidade de Conservação Sustentável (UC), contendo RESERVA EXTRATIVISTA; RESERVA DE FAUNA; RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL; divididas em colunas de: Grupo a que pertence, objetivos, domínio, atividades previstas e presença ou não de zona de amortecimento. A planilha foi feita no notebook do André, depois fomos almoçar.
                   Depois do almoço Simone e Maristela pediram 4 voluntários que tinham dúvidas sobre o curso, que escrevessem em uma folha grande de cartolina que nos foi passado e nela colocávamos nossas perguntas e respostas. Também dividiu as pessoas em pés, abelhas e borboletas, que passavam perto para observar. Emprestou o livro do SNUC à Steigle, para serem tiradas minhas dúvidas sobre UC. A atividade em grupo se chama open space.

13:16 horas: Simone e Maristela separando as folhas para cada grupo.

                   Preenchidas as perguntas e respondidas, reuniu-se todo grupo e, individualmente tínhamos de explicar sobre quais eram nossas dúvidas, quais respostas chegamos e, no surgimento de novas, pudessem ser sanadas naquele momento.


Minha vez das explicações das dúvidas.
                       

   Excursionismo de Mínimo Impacto:  Princípios de Conduta Consciente em Ambientes Naturais.

                   Simone e Maristela dividiram-nos em grupos novamente e pediram que trabalhássemos o conteúdo sobre Excursionismo de Mínimo Impacto, material impresso pela CEU (Centro Excursionista Universitário) em parceria com o MMA (Ministério do Meio Ambiente). Um grupo falaria em forma de: programa de rádio (sem perguntas), um grupo com programa de TV e dois grupos de teatro. Gravamos em forma de rádio, começamos pelos itens: 1 - Planejamento é Fundamental, 2 - Você é responsável por sua segurança, 3 - Cuide das trilhas e dos locais de acampamento, 4 - Traga seu lixo de volta, 5 – Deixe cada coisa em seu lugar, 6 – Não faça fogueiras, 7 – Respeite os animais e as plantas, 8 – Seja cortês com outros visitantes.
Demoramos demais e fomos os últimos a terminar. Todos foram apresentar seus trabalhos, mas não me lembro bem o número dos grupos.
                   Começou com o grupo que fez uma peça teatral de um acampamento na beira de um rio, começando mais ou menos assim: Tinha um casal acampado na beira de um rio, respeitando a natureza, tentando o mínimo impacto. De repente, aparecem 4 caras em suas camionetes ligadas com os sons altíssimos, vestidos de roupas com cores berrantes, desceram e começaram a jogar lixo para todos os lados, enquanto montavam suas barracas. Com isso, arrancaram plantas, falavam em voz alta e cantarolavam as músicas do carro, além de estarem todos bêbados e tomando mais bebidas alcoólicas. O casal que estava no local, foi pedir para eles baixarem o som e tiveram como respostas só gozações. Fizeram gracinha para a mulher do incomodado, que vendo que não estava adiantando nada falar com eles, levantaram acampamento e foram embora.
                   A próxima apresentação seria a nossa, mas o celular teve problemas técnicos e por isso, nosso programa de rádio não quis funcionar. Passamos a vez.
                   O Próximo programa foi simulado em TV: Maria Vitória em uma mesa redonda com entrevistados e uma câmera fotográfica simulando filmadora na mão da Karol, escoteira de Mineiros-GO, com perguntas e respostas sobre Excursionismo de Mínimo impacto. Adorei! Todos fizeram um trabalho muito bom.  Entrevistador e entrevistados muito calmos, bom de entender. Lembrou bem aqueles programas desse estilo.
                 Chegou nossa vez. Problemas técnicos resolvidos, tudo conectado. Joel faz a abertura do programa de rádio, passa para o Nélio que grava e pede para que cada um de nós fale sobre os temas escolhidos em números acima citados. Falei sobre “Planejamento é Fundamental”, que: A) - Antes de sair em excursão tinha que se fazer um contato prévio com a administração da área que você iria visitar para tomar conhecimento dos regulamentos e restrições existentes. B) - Se informar sobre as condições climáticas do local para evitar surpresas. C) – Viajar em grupos pequenos de até 10 pessoas (grupos menores se harmonizam melhor e causam menos impacto à natureza). D) – Evitar viajar para áreas mais populares durante feriados prolongados e férias, por causa dos impactos. E) – Ter cuidado com o seu próprio lixo, para depois trazê-lo de volta. F) – Escolher melhor as atividades que você vai realizar em sua visita, saber do seu condicionamento físico e nível de experiência.
                   A última apresentação foi um teatro que retratava uma visita ao Parque Nacional das Emas, por visitantes que resolveram entrar sem guia e acabaram se perdendo por saírem das trilhas e acabaram não vendo quase nada. Depois eles voltam, contrataram um monitor ambiental do Parque, entram novamente e as coisas ficam bem melhores para eles. Nas trilhas eles conseguem ver: um Lobo-guará, uma Anta e uma Jaratataca (animais que André tenta imitar). Ficou muito engraçado. Depois disso fomos jantar.        
                  
                   Mais tarde em sala de aula, ainda no Módulo Excursionismo e Acampamento de Mínimo Impacto, ministrado por Valdir Justino em parceria com Oséias Prado, Valdir falou sobre os cuidados com os ambientes naturais, impactos ambientais e nos mostrou, através do Data-show, imagens com vários tipos de nós e amarras, tipos de mochilas, porcentagens de cargas para cada pessoa e arrumações das mesmas. Falou sobre excursionismo e elaborou uma caminhada noturna de aproximadamente 6 quilômetros. Ainda em sala, fez um sorteio de papelzinho sem que pudéssemos revelar de quem seriamos “anjo”. Todos foram e tinham anjos individualmente. Dividiu-nos em duplas para vigilância noturna durante este acampamento e a divisão ficou com 20 minutos para cada dupla. Lá fora a turma se dividiu em duas filas.


22:00h. Divisão em fila dupla com respectivos líderes.


22:06h. Sou o anjo do Sr. Inácio, este com a lona verde.

             Os queixadas (Tayassu pecari) estavam fazendo um barulhão no mato.
             Na caminhada, todos estavam preocupados com minhas mochilas. Steigle sempre se oferecia para me ajudar a carregar uma das minhas mochilas. Foi aí que suspeitei que ele fosse meu anjo.
            Passado algum tempo... Fabiano sumiu sem que ninguém percebesse em simulação orientada por Valdir. Ninguém sabia do combinado e muitos ficaram bravos com Fabiano, mas ninguém disse nada para ele.

22:21 h: À espera de Fabiano
                  
            Também parei para descansar. O acontecido serviu para aproximar a turma, uns estavam bem à frente dos outros. Fiquei no meio e de olho no meu protegido, Sr. Inácio.

Fabiano ajudando Simone com problemas na mochila.

                Voltamos a caminhar e de tempo em tempo fazíamos uma conferência dos alunos. Cada aluno falava seu número, em ordem crescente. O meu era 29 e através disso, sabíamos a distância uns dos outros e houve reclamações. Foi a partir daí que Valdir Justino disse que a parada prevista e trocas de líderes eram na entrada da trilha para a “Lagoa da Capivara”.
Maria Vitória também teve problemas com sua mochila. Protegida pelo anjo.

                  A noite estava maravilhosa ao chegarmos na Trilha da Capivara. Sentamos um pouco, observamos as constelações presentes e lá, apesar de não conhecer, sabíamos que  estavam: Órion, Sete Marias (só tinha ouvido falar em três Marias), Sagitário, escorpião, a grande nebulosa e a lua crescente. Foram feitas fotos em frente à placa da trilha para a Lagoa da capivara e de costas para a Lua. Houve troca de líderes de fila e, neste vai e vem, resolvi brincar com a minha Canon-Power Shot A-470.

Brincando com os recursos da minha câmera fotográfica amadora enquanto a turma observa as estrelas e comenta sobre elas.


Parada para observar a bioluminescência nos cupinzeiros.
                    
                 Chegamos ao portão “Guarda do Bandeira”, local marcado pelo Valdir para o acampamento. Todos foram se ajeitando para arrumar suas barracas e Valdir tornou a nos lembrar sobre o combinado no revezamento de vigília noturna. Fiz dupla com Fabiano. Um Lobo-guará nos fez uma visitinha rápida por volta das 06:00 horas da manhã para chupar manga, infelizmente não consegui ver.


                    Todos acordamos por volta das 6:00 horas com o barulho que André fez por causa do Lobo-guará.

“Agitação e calmaria”: efeito Lobo-guará

            Depois que todos já haviam levantado, tentamos colocar nossas tralhas nas mochilas. Não sei por que, mas parecia que tudo tinha inchado. Não queria caber mais nas mochilas e parece que não estou sozinho nesta luta. Corri os olhos procurando meu protegido (Sr. Inácio). Vi que estava bem. Valdir já estava pedindo o material que deveríamos levar para o curso, que eram:

-         Barraca (2 pessoas ou mais podem dividir a mesma barraca, depende do acordo entre vocês e da capacidade da barraca que tiverem)
-         Cantil com água
-         Bússola para orientação com mapa
-         Lanterna (Pilhas de reserva)
-         Faca ou canivete
-         Corda para nós e amarras (4m). Vocês podem combinar de repente de cada dupla levar uma corda. Não levem corda muito fina, nem de plástico.
-         Colchonete/Saco de dormir
-         Papel alumínio
-         Mochila
-         Panela pequena
-         Protetor solar
-         Chapéu/boné
-         Repelente
-         Roupa p/ caminhada
-         Calçado confortável e seguro para caminhada
-         Capa de chuva
-         Camisa de mangas longas para o caso de friagem noturna
-         Materiais de higiene pessoal
-         Estojo com materiais de primeiros socorros
-         Livros de literatura/poesias/poemas para os momentos de leitura no acampamento
-         Não esqueçam das canecas que vcs receberam no módulo passado,

               Lanche individual pós caminhada da noite (lanche opcional)
-         02 barras de cereais (pelo menos)
-         Bolacha de água e sal (01 pct)
-         Suco (tipo Tang que já vem adoçado) 01 pct

               Café da manhã no domingo
-         01 ovo
-         01 laranja
-         01 batata doce média (opcional)
-         Leite em pó/ sachês de chá
Obs.: 1 kg de trigo (a cada 04 pessoas), 02 latas de fermento biológico p pão (total)

            No café da manhã, usamos a minha panela por ser maior para fazer o pão. Só depois descobrimos que o fermento deveria ser o químico (tipo pó Royal). Mas, Maria Vitória com sua experiência em padaria misturou bem farinha, um pouco de fermento em pó, temperou com sal, depois acrescentou água até fazer uma massa nem muito macia e nem muito dura. Apertou daqui, apertou dali até que parasse de grudar na panela. Pronta a massa, Valdir distribuiu em pedaços que teríamos que enrolar em um galho para assar no calor da fogueira. Ficou uma delícia! Fizemos ovo assado na laranja (faz-se um corte redondo na laranja, coloca-se o ovo inteiro dentro e enterra nas brasas da fogueira). Fizemos também batata doce assada, enrolada no papel alumínio e também enterrada nas brasas da fogueira. Comemos e ficamos satisfeitos.
          Depois do café da manhã, demos as mãos em forma de círculo e fizemos o momento cultural, com poesias de Pablo Neruda e Mário Quintana, recitadas por Maria Vitória e a Paraguaia Theodora. Houve muita harmonia e descontração.
         
          Hora de voltar para a sede. Colocamos as mochilas em um carro e voltamos no carro safari do parque. Uns ainda estavam com sono, outros alerta e satisfeitos.
                                             De volta no carro adaptado do parque. Foto de André

                    Retornando à sede, Valdir pede para que todos peguem as cordas e nos ensina noções sobre orientação geográfica e noções de pioneria, com técnicas de nós e amarras. Como o espaço estava pouco e nem todos tinham levado suas cordas, fomos para fora da sala, enquanto um grupo executava os nós “ribeira”, “volta do fiel”, “nó-direito” e outros, amarras “cruzadas e quadradas” em bambus, outros manuseavam as bússolas de orientação.
                    Terminada a aula, fomos almoçar e depois do almoço fizemos uma confraternização com a Feira de Trocas onde Maristela e Simone tinha nos lembrado dos 3 “Rs” (Reduzir, Reciclar e Reutilizar). Levei um “mensageiro do vento” feito de bambu com sementes do Cerrado e da Mata Amazônica, que troquei com Simone por um tripé faltando a cabeça que parafusa nas câmeras fotográficas e de vídeos (sapata).
                    No final da confraternização, fomos fazer a foto oficial. Enaldo, que era nosso motorista de volta para Chapadão do Céu, já estava muito impaciente. Fui conversar com ele meio sem graça, pois estava na carona com a turma de Chapadão. Fiquei com pena porque ele tinha chegado cedo e reclamava da demora. Foi aí que pedi pra que ele fizesse a nossa foto oficial e prontamente me atendeu. Agradeci por isso, ele ficou satisfeito e ficou tudo bem.



Diário de Bordo de Graziele Martins, aluna do curso de Formação de Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas, 2011

Começam os preparativos para o acampamento disciplina Excursionismo de mínimo impacto. Às 18:00 hs já aguardávamos a chegada do professor Valdir Justino e Oséias, todos na expectativa do que viria pela frente.
Com a chegada do Valdir vamos para o auditório onde será passado todas as informações necessárias para o acampamento. Iniciou as instruções já de olho no tempo, afinal temos 6 km de caminhada até o local de pernoite.
Antes de iniciar a caminhada Valdir faz o sorteio do “Anjo”, novidade que deixa a galera com grande expectativa, abro meu papel, e vem a surpresa, o Valter, ah tenho certeza que não me dará trabalho.
Aí fica a dúvida será necessário levar todos os itens sugeridos na lista? Prefiro não arriscar e levar tudo, inclusive o trigo e a batata doce. Nossa como esses itens pesa na mochila!


Tudo pronto, todos preparados, vamos saindo para a nossa caminhada noturna, não esquecendo de fazer a contagem. Eu, já observando meu protegido, procuro ficar no mesmo grupo que ele,  fico com o número 26.
Iniciamos a caminhada procuro pelo meu protegido... Onde está o Valter? Ajeitando sua rede nas costas! Todos esperam por ele. A caminhada começa com muita conversa. O passeio noturno desperta a minha parte matraca (rsrsrs). Vou seguindo ao lado do André e sempre chamando pelo número 31: Valter.

Várias contagens são feitas puxadas pelo líder “guia” principal, mas está faltando alguém, o Fabiano não responde a contagem. Onde estará o Fabiano? O grupo todo volta para procurar por ele, era apenas uma simulação e voltamos a nossa caminhada com uma parada para contemplar as estrelas no entroncamento da Lagoa da Capivara. Nossa, até descobri onde fica a constelação de escorpião, realmente muito bom!
Chegamos no local de acampamento, hora de montar as barracas. O cansaço bateu, todos montam as barracas rapidinho, chegou a hora dos vigilantes,  duplas vigiando o acampamento para que nenhum intruso se aproxime.

Chega a minha vez e do André, somos acordados as 6:00h pela Maristela e Simone. Acordo rapidinho, mas com uma preguiça... Mas vamos lá, combinado é combinado. Iniciamos ainda com a lanterna ligada, ainda escuro, começamos jogando foco de luz em volta do acampamento e percebemos que está tudo normal. Então vamos comer amoras: hum e estavam docinhas, uma delicia!

Mari e Simone nos chamam para checar um barulho que mais parecia um enxame de abelhas. Nossa que tenso, chegamos à conclusão que estavam fazendo polinização em uma árvore toda  florida, ufa! ainda bem.
Voltamos ao nosso posto, percebo que próximo ao portão tem um animal grande, a principio pensei que poderia  ser um cachorro, logo me dou conta que estamos no Parque Nacional das Emas e não tem cachorro! Nossa é um Lobo-guará: que susto, que lindo, fico emocionada! André corre para chamar a Mari e a Simone, eu fico sem saber o que fazer, é muita emoção. Corro pego minha câmera e tento fotografar, com muita dificuldade, afinal ainda está escuro. Ficamos observando por um tempo até que ele some das nossas vistas. É hora de chamar a próxima dupla pra fazer a vigia, mas depois de tanta emoção, como dormir novamente? E que alvorecer maravilhoso, impossível dormir!

Aproveito para fazer algumas imagens, realmente foi uma grande noite! O bom dia, dia fica por minha conta: fui pega desprevenida com dificuldade para falar. Preparamos para a desmontagem do acampamento. Nossa como a galera demora para desmontar. Inicia os preparativos para o café da manhã, cardápio: Batata assada, ovo cozido na laranja (novidade para mim), pão caçador (meu preferido), depois de 1 litro de chá mate dividido com o Thiago.
Todos se fartam de tanto comer, é hora de voltar. Voltamos no veiculo safári, chegamos à sede e vamos para o auditório, para as avaliações, mostrando onde poderíamos ter feito melhor, da falta de foco na caminhada noturna, da demora para a desmontagem do acampamento. A curiosidade fica por conta da descoberta dos “anjos.”

Descubro que meu “anjo” era o André, nossa como não suspeitei, ele não sai de perto de mim.
Fica a sensação de que tudo deu certo, de que a disciplina vai me ajudar muito nesse curso de Monitor Ambiental.

Encerrou-se a disciplina e todos foram para o almoço.


Diário de Bordo de Valter Kruk, aluno do curso de Formação de Monitores Ambientais do Parque Nacional das Emas, 2011
Durante um dia inteiro de atividades cansadíssimo fui jantar  pensativo sobre o futuro do parque. Me deliciei com  a comida da dona Joana (nossa cozinheira) , mesmo assim não tirei meus pensamentos sobre o futuro do parque e fui em frente para o auditório do Parque Nacional das Emas onde a Prof. Simone e Maristela nos apresentou  o Valdir, nosso Instrutor em Excursionismo e Acampamento de Mínimo Impacto, uma pessoa muito seria mas que tem domínio sobre o assunto em geral . Valdir enfatiza um aspecto muito relevante em toda sua palestra (SEGURANÇA) pois com vidas humanas não podemos brincar principalmente em lugares inóspitos e longe da civilização. Resumindo  o ser humano  leva para as já escassas áreas selvagens os péssimos hábitos impostos por nossa sociedade, e a total  ignorância sobre como conviver com a natureza, criando problemas ambientais às vezes de difícil solução  e acidentes ocasionalmente trágicos. Tais problemas podem ser contornados seguindo e ensinando algumas regras simples, que protegerão o meio ambiente, darão maior prazer e evitarão acidentes. Valdir separa o pessoal em dois grupos: um de 10 e outro de 11 pessoas, sorteia o anjo de cada um no auditório e também grupos de 2 pessoas para revezar a vigilancia do acampamento de 20 em 20min (duas pessoas farão ronda noturna de 20 em 20min).
Algumas dicas de segurança dadas na palestra: Planejamento: o  salvamento em ambientes naturais é caro e complexo por isso não arrisque sem necessidade; Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro de viagem com alguém de confiança; Avise a administração da área que você está visitando sobre: sua experiência, o tamanho do grupo, o equipamento que vocês estão levando, o roteiro e a data esperada de retorno. Aprenda as técnicas básicas de segurança, como navegação (saiba usar um mapa e uma bússola) e primeiros socorros. Tenha certeza de que você dispõe do equipamento apropriado para cada situação. Leve sempre os itens essenciais: lanterna, agasalho, capa de chuva, chapéu, um estojo de primeiros socorros, alimento e água, mapa e bússola, mesmo em atividades com apenas um dia ou poucas horas de duração. Caso você não tenha experiência, não se arrisque sozinho em atividades recreativas em ambientes naturais, entre em contato com centros excursionistas, empresas de ecoturismo ou condutores de visitantes. Visitantes inexperientes podem causar impactos sem perceber e correr riscos desnecessários.
Depois do jantar seguimos a rota que vai da Sede ate o portão do Bandeira , percurso de 6km. Seguimos em frente todos juntos , dois grupos separados de 10 pessoas, Quando andamos uns 500m , Fabiano que era do outro grupo sumiu  e o grupo teve que voltar para encontrá-lo, ou seja : devemos sempre estar atentos para o nosso companheiro. Encontramos um cupinzeiro em bioluminescência e explicamos para 3 pessoas que nunca tinham visto tal fenômeno (a bioluminescência é a emissão de luz produzida por seres vivos — registrado no mundo). No inicio da estação das chuvas, ao anoitecer, milhares de larvas de uma espécie de vaga-lume (Elaterídeo) emitem intensa luz esverdeada, salpicando a paisagem com uma miríade de pontos luminosos.Tudo começa quando a fêmea da espécie, depois de ser fecundada, deposita os ovos no pé dos cupinzeiros. Ali se transformam em larvas e ocupam buraquinhos nas paredes do próprio cupinzeiro, onde farão suas casas. À noite acendem suas “luzes”, para infelicidade dos insetos. Atraídos pela claridade muitos deles descobrem tarde demais que se trata de uma armadilha de caça montada pela voraz larva predadora. Mariposas, cupins e formigas aladas são as principais vítimas dessa adaptação biológica.
Quando chegamos na metade do caminho no entroncamento que vai para a Lagoa da capivara, os dois grupos pararam e Valdir (nosso instrutor) começou a explicar sobre orientação noturna e nos mostra as constelações de touro e orión e nos dá dicas de como orientarmos seguindo estas constelações. Seguimos em frente e chegamos ao portão  do bandeira, achamos o local de acampamento, fora do Parque, e todos cansadíssimos montam suas barracas, eu que estava sem barraca monto minha rede e durmo. Acordo as 02:40 da manhã para fazer ronda noturna no acampamento junto com meu outro companheiro e vejo o céu totalmente estrelado , a via-láctea inteira. Às 03:00 da manhã acordo o outro grupo e vou dormir. `As 4:00 da manha Tiago Lamonica me chama para dormir na sua barraca porque eu estava com muito frio na minha rede todo encolhido. Era a vez do Tiago fazer ronda. Acordamos todos por volta das 6:30 da manha , Valdir explica como cozinhar um ovo colocando-o dentro de uma laranja, acendemos uma fogueira e colocamos algumas laranjas recheadas com ovos na fogueira que os meninos fizeram, Valdir explica como fazer pão e perco a explicação pois fui ao banheiro, quando retorno vejo vários pães assados em espetos de gravetos na fogueira. Levantamos acampamento. Retornamos à sede com o carro safari.
Chegando na sede pela manhã voltamos ao auditório para fazer um resumo deste acampamento  e conclusões sobre o mesmo. Revelamos o anjo de cada um e todos se sentiram protegidos pelo seu anjo. É necessário união em um acampamento para evitar acidentes e  perda de energia desnecessária. Um dos grandes segredos do sucesso de um acampamento é o espírito de grupo.


O céu na noite da caminhada e acampamento. Parada na trilha para a Lagoa da Capivara, às 22:00 horas.




Expedição Biofronteira do Pantanal (2008)

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