Projeto Gavião-de-penacho

Gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus)
O que é o projeto Gavião-de-penacho?
O projeto Gavião-de-penacho é desenvolvido pela equipe do Instituto Mamede desde julho de 2014 e tem como objetivo o monitoramento do sucesso reprodutivo do gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) e estratégias de conservação da espécie na região da Serra de Maracaju, planalto de entorno do Pantanal.

Características da espécie:
O gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) é uma espécie da ordem Accipitriformes, ou seja, se inclui no grupo dos gaviões, águias e afins. São consideradas aves de rapina por se tratarem de exímios carnívoros caçadores e, para esse modo de alimentação, possuem adaptações morfofisiológicas específicas. Assim como outros representantes da família Accipitridae, o dimorfismo sexual no gavião-de-penacho é mais evidenciado pelo tamanho e peso do corpo do que pelo colorido da plumagem, de modo que a fêmea costuma ser maior que o macho (Sick, 1997). Algumas das características marcantes dessa espécie são o topete – geralmente eriçado quando em emoção ou comunicação intraespecífica – e o tarso emplumado, cujas penas alcançam até o limite dos dedos das patas. O tamanho do corpo varia de 58 a 65 cm, sendo que o macho pesa cerca de 1000g e a fêmea, em média, de 1300 a 1600g, aproximadamente (Sick, 1997; Menq, 2015). Sua dieta inclui uma série de vertebrados, tais como: aves, mamíferos de pequeno porte e répteis (Sick 1997, Ferguson-Lees e Christie 2001).
O gavião-de-penacho é um dos rapineiros que dispõem de adaptações aerodinâmicas muito particulares que o habilitam à caça ativa dentro de mata fechada, tais como: asas curtas e redondas e cauda longa que facilitam as manobras nesses locais (Sick, 1997), integrando, portanto, o grupo das águias florestais (Menq, 2015). O fato de estar adaptado a ambientes florestais e por se tratar de um predador de topo de cadeia, a extensão e qualidade dos ambientes são fundamentais para sua sobrevivência. Embora seja uma espécie de ampla distribuição no Brasil, suas populações têm diminuído drasticamente em decorrência da perda e fragmentação de hábitats (Mendonça-Lima et al., 2006). É uma espécie que habita florestas tropicais desde o México central até o norte da Argentina (Lyon & Kuhnigh, 1985). Em vários estados brasileiros que dispõem de lista vermelha da fauna ameaçada de extinção o gavião-de-penacho figura entre as espécies ameaçadas, sendo considerada pela IUCN (2015) como próximo a ameaçada, categoria NT (Near Threatened), em virtude do declínio crescente de suas populações.
Informações sobre a reprodução do gavião-de-penacho indica que a espécie depende de ambientes com cobertura vegetal florestal ampla e a árvore onde costuma construir o ninho

possui porte elevado entre 16 e 30m de altura (Lyon & Kuhnigh, 1985; Menq, 2015). O ninho é construído no alto de árvores de grande porte constituindo-se de uma plataforma com gravetos e mais de um metro de diâmetro. Os mesmos autores supracitados descrevem que a fêmea incuba um único ovo por até 51 dias e o filhote abandona o ninho com cerca de 80 dias, este, no entanto, costuma permanecer nas adjacências do ninho e com certa dependência dos adultos, o que pode inibir novo evento reprodutivo dos parentais no mesmo ano.

Ameaça?
Além da progressiva perda de hábitat que o gavião-de-penacho e outros predadores de topo de cadeia vêm sofrendo na região, essa espécie enfrenta outro grave problema que é a intolerância a sua presença em áreas rurais. Relatos de moradores, contam que o gavião-de-penacho ataca galinheiros e predam suas criações, por isso são afugentados e às vezes mortos, assim que percebidos por perto. Diante disso, reconhecemos a importância do fortalecimento das ações em  Educação Ambiental iniciadas pela equipe do Instituto com vistas à sensibilização, valorização e convívio harmônico com essa espécie e demais elementos da biodiversidade local.




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